quarta-feira, 26 de maio de 2010

Evangelização - Libertação

uem acolher uma criança como esta, em meu nome, é a mim que acolhe” (Mt 18, 5). Ressaltando este mandamento de Cristo, o Santo Padre dirigiu sua mensagem a todos os fiéis e a todas as pessoas de boa vontade, durante a última quaresma. Ele também escreveu: “Penso, com reconhecida admiração, em quantos cuidam da formação da infância em dificuldade e aliviam os sofrimentos das crianças e dos seus familiares, causados pelos conflitos e a violência, pela falta de alimentos e de água, pela emigração forçada e por tantas formas de injustiça existentes no mundo”.

Às vezes, ouvem-se murmúrios errôneos sobre os bens da Igreja, do Vaticano e de seus ministros. Apesar de falsos, tais ruídos confundem a mente ingênua de muitos “cristãos”, com limitada consciência sobre as ações pastorais e os testemunhos de solidariedade que a Igreja desenvolve nos seus projetos sociais. As contribuições dos cristãos alicerçam os programas mantidos pelo Vaticano, através do Pontifício Conselho Cor Unum (Um só coração), o instrumento da caridade do Papa.

Graças à generosidade dos fiéis, Cor Unum, por incumbência do Pontífice, consegue ajudar muitas comunidades de países em vias de desenvolvimento, de modo a favorecer o seu crescimento moral e material. Outras ajudas são distribuídas para instituições eclesiais que se ocupam da assistência aos excluídos: crianças de rua, idosos abandonados, mulheres agredidas, sem-teto, refugiados.

Nesta edição, Mundo e Missão oferece um quadro sintético do que o papa, através do Pontifício Conselho Cor Unum, conseguiu realizar concretamente no ano passado (2003), para sustentar as obras de muitas pessoas abnegadas, em favor das vítimas de flagelos naturais ou de calamidades provocadas pela ganância humana sobre os mais miseráveis.

Fundações

No âmbito do Cor Unum trabalham duas Fundações: a primeira é a Fundação João Paulo II para o Sahel.

Foi instituída em 1984, como resposta ao urgente apelo lançado pelo Santo Padre no dia 10 de maio de 1980, de Uagadugu (Burkina Faso), em favor das populações atormentadas pela estiagem e pela desertificação na região saheliana.

Mais de 3.500 projetos comunitários foram financiados pela Fundação, desde suas origens, a um custo superior a trinta milhões de dólares. No ano de 2003, o número de projetos financiados subiu para 235, num total de 2.474.305,00 euros.



A tabela acima especifica a distribuição dos projetos em 2003:

A segunda é a Fundação Populorum Progressio, a serviço das populações indígenas, mestiças e afro-americanas camponesas pobres da América Latina. Foi criada pelo Papa em 1992, por ocasião do 5.º Centenário do início da Evangelização na América Latina, e propõe-se sustentar micro-projetos de promoção humana integral.

É mantida especialmente pela Conferência Episcopal Italiana, através do Comitê para as Intervenções Caritativas em favor do Terceiro Mundo, por fiéis e por instituições religiosas. Nos seus primeiros doze anos de vida, financiou mais de 1500 micro-projetos, investindo mais de 15 milhões de dólares americanos.

Veja na tabela abaixo os seus projetos aprovados e distribuídos em 2003.

Além dos investimentos nas Fundações já citadas, o Cor Unum distribuiu 1.680.688 dólares em socorros de emergência e na promoção humana em várias partes do mundo, como se pode ler na tabela acima. Com estas atividades, o Cor Unum constitui um instrumento de testemunho concreto do amor de Cristo pelos pobres.

Outras organizações católicas, espalhadas pelo mundo, também diminuem o sofrimento humano e devolvem a dignidade aos mais necessitados. Há um enorme trabalho desenvolvido pelas várias Caritas, pela Ajuda à Igreja que Sofre, pelas várias Obras quaresmais (no Brasil, a Campanha da Fraternidade), pelas Congregações religiosas, Associações de leigos e Organismos de Voluntariado.

Seus agentes não desenvolvem seu serviço como simples delegados da comunidade, mas como verdadeiros canais, através dos quais difundem-se a participação e a partilha ativa dos benfeitores, no testemunho concreto da caridade de Jesus. Cristo, que, “tornando-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fl 2, 8), assumiu sobre Ele o sofrimento humano, iluminando-o com a luz esplendorosa da ressurreição.

(L´Osservatore Romano – 2004 – n.º 16)

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