Evangelização Ecumenismo
Setembro de 2007 - Edição n.º 12
Em Debate é parte integrante da Revista MUNDO e MISSÃO - n.º 115
Torre de Babel - Pieter Brueghel
ecumenismo é uma promiscuidade em pecado, já que pretende agremiar numa só confissão seitas cujo próprio surgimento e a “raison d’être” (razão de ser) são desvios do caminho reto da tradição cristã original. É uma tentativa insólita de se chegar à Verdade através da aceitação simultânea de várias deturpações desta. São as próprias palavras de Jesus Cristo que nos mostram inequivocamente quão infundadas e destituídas de qualquer valor são as afirmativas sobre os benefícios espirituais para a humanidade que o ecumenismo possa trazer. São elas: “... E eu digo-te que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16:18). É óbvio, que esta Igreja já existe e que existe há dois milênios e que é uma só, independentemente do número e da distribuição geográfica dos fiéis por Ela congregados. É de se acreditar que o dito foi suficiente para tornar evidente a vacuidade espiritual do ecumenismo.
(V.Kurgánov, da Igreja Ortodoxa Russa)
s evangélicos são contrários ao ecumenismo porque “continuam crendo que a Reforma foi um avanço espiritual e não um equívoco. Acreditam que os esforços tendentes à unificação não levam em conta as razões reais da separação, a saber, as questões doutrinárias fundamentais. Entendem que o papado no catolicismo romano não é um ofício legítimo da Igreja. Que a maior parte do corpo doutrinário e ensino do catolicismo romano nada tem a ver com os princípios bíblicos e nem serve de progresso histórico válido na espiritualidade” (Eloy Melonio, Ecumenismo: Quais os fundamentos da proposta?, Revista Em Defesa da Fé, n.º 24).
termo ecumênico originou-se do grego oikoumene, derivado da palavra oikos: casa, lugar onde se vive, onde as pessoas têm um mínimo de bem-estar.
A expressão é utilizada em sentido religioso e representa o esforço de unidade entre as religiões cristãs, a pedido de Jesus a seu Pai:
- “Para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti; para que sejam um em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). Entretanto, surgidas ao longo da história, as divergências afastaram os cristãos de um convívio comum. As mais graves aconteceram nos séculos 11 (cisma ortodoxo) e 16 (cisma protestante).
s pentecostais e os neo-pentecostais, em geral, e os batistas, têm dificuldade com o ecumenismo. Em primeiro lugar porque, segundo eles, seria uma nova estratégia da Igreja católica para reconverter os “crentes” ao catolicismo. Do outro lado, o ecumenismo impediria o proselitismo (conquista de adeptos), que é a maneira pela qual muitos grupos evangelizam, uma vez que, para eles, quem não lhes pertence não se salva.
á grupos contrários ao ecumenismo também entre os católicos (a ponta extrema é a Fraternidade São Pio X, fundada pelo bispo Lefèbvre). Tradicionalistas e conservadores receiam que o diálogo ecumênico possa enfraquecer a genuína fé católica e gerar confusão entre os fiéis.
m geral, nota-se pouco interesse pelo ecumenismo dentro da Igreja católica (em nível de sacerdotes e leigos). As iniciativas ecumênicas são muito raras, a impulsividade dos pentecostais assusta e põe os católicos em defensiva. Há – de lado a lado – muita ignorância e preconceito sobre as outras confissões cristãs.
Irmãos e irmãs do Caribe, da América Central e do Sul em preparação para a 9.ª Assembléia Geral d0 CMI
“Todos os cristãos se professam discípulos do Senhor, mas têm pareceres diversos e caminham por rumos diferentes, como se o próprio Cristo estivesse dividido. Esta divisão, porém, contradiz abertamente a vontade de Cristo, e é escândalo para o mundo, como também prejudica a santíssima causa da pregação do evangelho a toda criatura”
(Concílio Vaticano II – Unitatis redintegratio, 1)
uando é que nós, cristãos, teremos a lucidez e a coragem de reconhecer que nossa falta de unidade é uma causa fundamental de ateísmo?”
(Giuseppe M. Zanghí, filósofo e teólogo)
iante dos enormes problemas que o mundo enfrenta, diante da responsabilidade que temos de levar à frente o projeto de Deus para que a humanidade se realize plenamente e seja feliz, os cristãos retardam o avanço da história. Diante das tragédias da humanidade, opostas ao plano de Deus, podem os cristãos continuar se dando ao luxo atroz de trabalharem desunidos?”
(Enrique Cambón, teólogo)
s cristãos, pelo menos eles, renunciem a suas divisões, a suas posições, que se reconciliem, já que têm como ponto de referência um Deus que é Amor!”
(Roger Schutz, fundador da Comunidade de Taizé)
“Estou convencida que Deus não abandonou nenhuma das Igrejas durante estes séculos de divisão. Portanto, amanhã, com a reunificação, cada Igreja unida às outras, refletindo justamente a unidade de Deus, não só manterá a característica particular que foi desenvolvendo ao longo dos séculos, mas colocando-se em comunhão com todas as outras Igrejas, completar-se-á, fortalecer-se-á. Por isso, cada Igreja tornar-se-á, de certo modo, uma ‘especialista’ daquele determinado aspecto de verdade que ela mesma, ao longo dos séculos, foi aprofundando.”
(Chiara Lubich, fundadora do Movimento Focolare)
uvistes dez mil histórias sobre nós, que somos chamados protestantes. Se credes em apenas um milésimo destas histórias, deveis pensar muito mal de nós. (...) Daí se destrói completamente o amor fraternal; e cada grupo, encarando o outro como monstro, dá lugar à ira, ao ódio, à maledicência, a todo sentimento não-amistoso que, frequentemente, tem resultado em barbaridades desumanas, quase desconhecidas entre os pagãos.”
(John Wesley, fundador da Igreja Metodista)
nova atitude mental que o ecumenismo exige (...) leva cada Igreja a colocar Jesus Cristo no centro de seu sistema referencial, e não ela mesma, convencendo-se de que, se existe um retorno a ser feito, este cabe a cada uma delas de modo idêntico.
Este retorno é uma subida árdua do rio da história de cada Igreja, carregado de conquistas espirituais, mas também poluído pelas infidelidades de seus filhos, para chegar à nascente, onde encontramos a água pura da Palavra de Deus vivida com radicalidade e generosidade, e que nos revela o contorno preciso da Igreja de Jesus.”
(Sandra Ferreira Ribeiro, teóloga)
ecumenismo é um processo lento, às vezes desanimador, quando caímos na tentação de sentir e não escutar, de falar sem convicção, porque não é sempre fácil abandonar o conforto. Mas se o ecumenismo é uma estrada lenta e íngreme, como toda via de penitência, é também um caminho que, apesar de suas dificuldades, apresenta amplos espaços de alegria, paradas refrescantes, e permite também respirar a plenos pulmões o ar da comunhão.”
(Papa Bento XVI, durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, janeiro de 2007)
Igreja e igrejas
Encontro de Água - Declaração Ecumênica sobre a água como Direito Humano e bem público
mbora separadas, as Igrejas orientais têm verdadeiros sacramentos e, sobretudo, em virtude da sucessão apostólica, o Sacerdócio e a Eucaristia. Assim, são consideradas pela Igreja de Roma como “Igrejas particulares ou locais”. As comunidades cristãs, nascidas da Reforma do século 16, não têm a sucessão apostólica no sacramento da Ordem.
Segundo a doutrina católica, elas não conservam a genuína e íntegra substância do Mistério eucarístico e, portanto, não podem ser chamadas “Igrejas” em sentido próprio. Além delas, chamadas igrejas históricas, nasceram posteriormente as comunidades pentecostais e neo-pentecostais.
Concílio Vaticano II exortou “todos os fiéis a que, reconhecendo os sinais dos tempos, solicitamente participem do trabalho ecumênico” (Documento sobre o ecumenismo). Em nível central, isso se realiza através do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, criado em 1960. Existem diálogos bilaterais e multilaterais, tanto internacionais quanto em âmbito nacional.
Eis alguns diálogos intereclesiais dos quais a Igreja católica participa:
– Com as Igrejas Ortodoxas, a partir do “diálogo da caridade” iniciado na década de 1970 entre o patriarca Atenágoras e o papa Paulo VI.
– Com a Igreja Copta (uma antiga Igreja oriental). A partir de 1974, depois da declaração entre Paulo VI e o papa copta Shenouda III sobre divergências apenas de linguagem e não de doutrina.
– A Igreja católica vem mantendo diálogos constantes com as chamadas Comunidades da Reforma.
Conheça alguns documentos comuns: Com luteranos:
Declaração conjunta sobre a Doutrina de Justificação (1999).
Com a Aliança Reformada Mundial: - Para uma compreensão comum da Igreja (1990).
Com Anglicanos: Igreja como comunhão (1991).
grande teólogo reformado Oscar Cullmann afirmou:
“Devemos chegar à unidade não apesar, mas através da diversidade”.
Ele elencou os carismas essenciais de cada uma das três grandes tradições cristãs:
1.º Carismas “típicos” do protestantismo:
– a concentração sobre a Bíblia;
– a liberdade cristã, que favorece a abertura para o mundo.
2.º Carismas essenciais do catolicismo:
– a universalidade;
– a instituição (sendo um carisma, a organização protege o espírito: 1 Cor 14,33-40);
– o papado, com a condição de ser concebido como serviço petrino.
3.º Carismas próprios da Igreja ortodoxa:
– aprofundamento teológico do Espírito Santo;
– preservação das formas tradicionais da liturgia.
Iniciativas atuais (2006):
Celebração Ecumênica durante encontro da Conferência sobre História Latino-Americana
– Janeiro. Uma comissão internacional católico-reformada publicou o documento “A Igreja como Comunidade de Testemunho comum ao Reino de Deus”, em comemoração ao processo de diálogo, iniciado em 1970.
– Julho. A “Reunião de cúpula dos Chefes de Estado Religiosos”, promovida pelo Patriarca de Moscou, Alexis II, solicitou a adesão da Santa Sé.
– Novembro. O arcebispo de Canterbury e primaz da Comunhão Anglicana reza com o papa no Vaticano. Visita apostólica do papa à Turquia e encontro com Sua Santidade Bartolomeu I.
– Dezembro. O arcebispo de Atenas, Sua Beatitude Christodoulos, visita o papa no Vaticano.
1.º Renovação da Igreja, para que seja, cada vez mais, fiel ao evangelho.
2.º Conversão do coração (humildade, fraternidade, reconhecimento mútuo das faltas contra a unidade).
3.º União na oração, para impetrar a graça da unidade.
4.º Conhecimento mútuo: estudo das outras igrejas, segundo a verdade e na caridade.
5.º Formação ecumênica: o estudo da teologia e da história deve ser ministrado do ponto de vista e com sensibilidade ecumênica.
6.º Cooperação no campo social para enfrentar juntos, como cristãos, os problemas da nossa época.
CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 2010 SERÁ ECUMÊNICA
Oração durante encontro ecumênico
presidente do CONIC, pastor Carlos Möller, recebeu do presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha, no dia 20 de agosto, a comunicação de que a Assembléia dos Bispos aprovou, em maio, o pedido de mais uma Campanha da Fraternidade Ecumênica em 2010 (a primeira foi em 2000 e a segunda em 2005). O pastor Carlos lembrou que o CONIC comemora, neste ano, 25 anos de fundação e para celebrar a data será realizado, de 15 a 17 de setembro, o Seminário “Ecumenismo e Missão – Para que todos sejam um”.
ECUMENISMO NÃO É DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO
nquanto o ecumenismo propõe a unidade entre os cristãos (católicos, protestantes, ortodoxos), o diálogo inter-religioso é um canal aberto entre cristãos e não-cristãos (judaísmo, islamismo, budismo, hinduísmo,...).
ESTRUTURAS ECUMÊNICAS
Celebração da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2005:
Dom João Braz; Pastor Luterano Renato Kühne e o
Bispo Anglicano Maurício de Andrade
• Conselho Mundial das Igrejas (CMI)
A principal organização ecumênica cristã mundial foi fundada em 1948, em Amsterdam, Holanda. Tem sede em Genebra, Suíça. Congrega mais de 340 denominações cristãs, que representam 500 milhões de fiéis, em 120 países, pelo menos.
Seu secretário geral atual é Samuel Kobia, metodista. A Igreja católica romana não participa da organização, mas mantém com ela grupos de trabalho em alguns departamentos, como a Comissão de Fé e Ordem e a Comissão de Missão e Evangelismo.
• Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC)
No Brasil, as Igrejas: - católica apostólica romana, católica ortodoxa siriana do Brasil, cristã reformada e as Igrejas protestantes históricas: - luterana, metodista, presbiteriana unida e episcopal anglicana do Brasil, pertencem ao CONIC, com sede em Brasília – DF. A entidade foi fundada em 1982. Procura aproximar as igrejas cristãs, promovendo debates e encaminhamentos práticos que levem à sua integração e à comunhão.
CURSOS SOBRE ECUMENISMO
CESEP – Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular
• Site: www.cesep.org.br • E-mail: cesep@cesep.org.br • Tel.: (11) 3105-1680
NOSSO CONVITE!
MUNDO e MISSÃO propõe aos seus leitores que se reúnam EM DEBATE nas escolas, paróquias, grupos de jovens, seminários, conventos, centros de formação... Depois, encaminhem, por favor, para nós, questionamentos, reflexões, opiniões, dúvidas, para que possamos compartilhar com os outros leitores.
Participem!
Enviem as conclusões (pessoais ou de grupo) para:
Editora MUNDO e MISSÃO
Rua Joaquim Távora n.º 686 – Vila Mariana
São Paulo – SP – 04015-011
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quarta-feira, 26 de maio de 2010
A Igreja no Mundo
PIME-Net
Ecumenismo não está em crise, chega a sua maturidade
Fala a teóloga alemã Jutta Burggraf
- O ecumenismo não está em crise, «mas em uma situação de maior maturidade:
- vemos hoje mais claramente o que nos une e o que nos separa». É o que comenta a Zenit a especialista em ecumenismo Jutta Burggraf, alemã, professora de Teologia Sistemática e de Ecumenismo na Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra. O recente documento «Respostas a questões relativas a alguns aspectos da doutrina da Igreja», publicado pela Congregação para a Doutrina da Fé, segundo a teóloga, «colocou o dedo na ferida e, ao mesmo tempo, assinalou em que direção devem ir os futuros diálogos ecumênicos».
- O novo texto da Congregação para a Doutrina da Fé recorda que não traz nenhuma novidade, mas que afirma a doutrina da Igreja perante algumas interpretações incorretas. Que tipo de erros se cometem, neste sentido, no movimento ecumênico?
- Burggraf: Efetivamente, pode-se considerar o ecumenismo como um movimento único – suscitado pelo próprio Espírito Santo –, cujo fim consiste em promover a unidade entre os cristãos em todo o mundo. Neste movimento participa cada uma das comunidades cristãs desde sua perspectiva própria. E cada uma tem sua compreensão específica sobre o que é a desejada unidade.
Atualmente, está ganhando muita influência a chamada «branch-theory», que foi elaborada pela Associação para a Promoção da Unidade dos Cristãos no século XIX e ampliada no século XX. Segundo essa teoria, o cristianismo entende-se como uma árvore.
O que as diversas confissões têm em comum é o tronco, do qual saem vários ramos exatamente iguais:
- a Igreja Católica, as Igrejas Ortodoxas e as Igrejas que saíram (direta ou indiretamente) da Reforma protestante.
Nós, católicos, não podemos aceitar essa teoria. Não buscamos uma super-Igreja (com uma concepção «federalista» da unidade». Segundo nossa fé, a unidade da Igreja de Cristo não é uma realidade futura, hoje inexistente, que teríamos de criar todos juntos. Nem tampouco é algo repartido entre diversas comunidades, que sustentam doutrinas às vezes contraditórias.
É bem mais uma realidade que, em seu núcleo essencial, já existe e sempre existiu, e que subsiste na Igreja Católica:
- está realizada nela – apesar de todas as debilidades de seus filhos – pela fidelidade do Senhor ao longo da história.
- Assim se pode dizer realmente que a unidade da Igreja já existe?
- Burggraf: O termo ecumenismo vem das palavras gregas «oikéin» (habitar) e «oikós» (casa) que tiveram diversos significados ao longo da história. Os cristãos as empregaram para falar da Igreja, a grande casa de Cristo.
A porta para entrar na Igreja é o Batismo válido, que se administra segundo o rito estabelecido e a fé recebida de Cristo. Esta fé deve abarcar ao menos os dois maiores mistérios que nos foram revelados: a Santíssima Trindade e a Encarnação. Em conseqüência, todas as pessoas batizadas nessas condições incorporaram-se a Cristo e «entraram» formalmente em sua casa. Podem ficar doentes e inclusive morrer (espiritualmente), mas ninguém pode tirar-lhes mais. Por isso – recorda o Concílio Vaticano II – não só os católicos são «cristãos», mas todos os batizados, em quanto que suas respectivas comunidades conservam ao menos esta fé mínima nos dois grandes mistérios mencionados.
«São nossos irmãos – disse Santo Agostinho – e não deixarão de sê-lo até que deixem de dizer:
“Pai nosso”». Em uma criança recém-nascida, a graça de Deus atua do mesmo modo, tanto se é batizada na Igreja Católica como se o é em uma Igreja Ortodoxa ou Evangélica.
- Em que consiste, então, o trabalho ecumênico desde a perspectiva católica?
- Burggraf: A Igreja convida a olhar a nossos irmãos na fé não só sob a perspectiva negativa do que «não são» (os não católicos), mas sob o prisma positivo do que «são» (os batizados). São os «outros cristãos», aos que estamos profundamente unidos: estamos na mesma casa!
A tarefa ecumênica não consiste, portanto, em criar a unidade, mas em fazê-la visível a todos os homens, superando as separações que impedem a Igreja de mostrar-se ao mundo tão esplêndida como realmente é.
Por esta razão, é necessário buscar uma forma eclesial que abarque, de um modo mais completo possível, as legítimas diversidades na teologia, na espiritualidade e no culto. Na medida em que conseguimos realizar uma pluralidade boa e sadia, «a Igreja resplandece – segundo o Papa João XXIII – mais bela ainda pela variedade dos ritos e, semelhante à filha do Rei soberano, aparece adornada com um vestido multicolor».
Segundo esta proposta positiva, um cristão não condena nem rechaça os «outros», mas busca tirar à luz a raiz comum de todas as crenças cristãs, e se alegra quando descobre nas outras Igrejas verdades e valores que talvez não tenha tido suficientemente em conta em sua vida pessoal. É compreensível que o Concílio Vaticano II, partindo desta perspectiva, tenha aberto o caminho a uma grande vitalidade e fecundidade. O abriu comprometidamente, em primeiro lugar, à própria Igreja Católica que tomou, de novo, consciência de purificar-se e renovar-se constantemente. A unidade, quando se der algum dia, será obra de Deus, «um dom que vem do alto». É preciso não esquecer nunca que o verdadeiro protagonista do movimento ecumênico é o Espírito Santo.
- Qual é o maior obstáculo ecumênico que se está enfrentando neste momento?
- Burggraf: É precisamente a eclesiologia. Portanto, o documento colocou o dedo na ferida e, ao mesmo tempo, assinalou em que direção deveriam ir os futuros diálogos ecumênicos. Segundo o Vaticano II, distinguem-se diversos modos de pertencer à casa de Cristo.
A pertença é plena se uma pessoa entrou formalmente – mediante o batismo – na Igreja e se une a ela através de um «triplo vínculo»:
- aceita toda a fé, todos os sacramentos e a autoridade suprema do Santo Padre. É o caso dos católicos. A pertença, em contrapartida, é não-plena se uma pessoa batizada rechaça um ou vários dos três vínculos (totalmente ou em parte). É o caso dos cristãos ortodoxos e evangélicos. No entanto, para a salvação não basta a mera pertença ao Corpo de Cristo, seja plena ou não. Todavia, mais necessária é a união como a Alma do Senhor que é – segundo a imagem que utilizamos – o Espírito Santo. Em outras palavras, somente uma pessoa em graça chegará à felicidade eterna com Deus. Pode ser um católico, um anglicano, luterano ou ortodoxo (e também um seguidor de outra religião).
As estruturas visíveis da Igreja são, certamente, necessárias. Mas em seu núcleo mais profundo, a Igreja é a união com Deus em Cristo. Quem é mais «Igreja»? Aquele que está mais unido a Cristo. Aquele que ama mais.
É significativo que Jesus Cristo nos coloque como modelo de caridade um «bom samaritano», quer dizer, uma pessoa considerada, naqueles tempos, como «herege».
Alberto Magno afirma:
- «Quem ajuda seu próximo em seus sofrimentos – sejam espirituais ou materiais – merece mais louvor que uma pessoa que constrói uma catedral em cada marco no caminho desde Colônia a Roma, para que se cante e reze nelas até o fim dos tempos.
Porque o Filho de Deus afirma: Não sofri a morte por uma catedral, nem pelos cantos e rezas, mas pelo homem».
- Pensa que hoje o ecumenismo goza de boa saúde?
- Burggraf: O diálogo ecumênico, em vários níveis, encontra-se em pleno desenvolvimento. Católicos, ortodoxos e protestantes aproximaram-se uns dos outros, conheceram-se mutuamente, deixaram para trás velhos preconceitos e clichês e se deram conta de que sua divisão é um escândalo para o mundo e contrária aos planos divinos. Podemos dizer, sem exagerar, que avançamos no caminho para a plena unidade nas últimas décadas mais que em vários séculos. No entanto, o «entusiasmo ecumênico» dos tempos posteriores ao Concílio diminuiu. Perdeu-se a ilusão – bastante estendida no mundo inteiro – de que as diferenças entre as diversas comunidades cristãs desapareceriam com relativa facilidade. Viu-se que o caminho é difícil e longo.
Mas não estamos em uma crise, mas em uma situação de maior maturidade:
- vemos hoje mais claramente o que nos une e o que nos separa.
Um ecumenismo sólido está baseado na convicção de que, apesar das dificuldades, devemos tentar colaborar, dialogar e, sobretudo, rezar juntos com a esperança de descobrir a unidade que de fato já existe.A Igreja no Mundo
PIME-Net
Ecumenismo precisa de «purificação das estruturas»
Entrevista ao presidente da Conferência Episcopal da Grécia
SIBIU, segunda-feira, 17 de setembro de 2007 (ZENIT.org). - O ecumenismo precisa de uma «purificação das estruturas» das Igrejas e um maior conhecimento recíproco entre os cristãos, afirma Dom Fragkiskos Papamanolis, ofm-cap, bispo de Syros, Milos e Santorini. O prelado – que comenta com ironia que é católico e não greco-católico – é também administrador apostólico de Creta e presidente da Conferência Episcopal da Grécia. Falando com Zenit sobre as iniciativas normais de colaboração com os ortodoxos em sua terra, Dom Papamanolis traça um breve balanço das experiências da recente III Assembléia Ecumênica de Sibiu (Romênia) e lança um chamado para que todos os cristãos celebrem a Páscoa no mesmo dia.
– Qual é a situação da comunidade católica na Grécia?
– Dom Papamanolis: Na Grécia, a presença católica é mínima quanto aos católicos de nacionalidade grega. Somos 0,5% da população, aproximadamente 50.000. Enquanto isso, nos últimos quinze anos, com a queda do comunismo, a abertura dos países da União Européia, e a situação instável no Oriente Médio, os católicos tiveram um aumento de 700%. De 50.000, passamos a ser 350.000. Como pude informar ao Papa, durante a visita «ad limina apostolorum», em outubro de 2006, por uma parte este fato nos conforta, mas por outra nos cria também muitos problemas, porque há concentrações de católicos em lugares nos quais não há presença da Igreja Católica, onde não temos nem sequer um lugar de culto e menos ainda sacerdotes. Por exemplo, na parte sul-oriental da ilha de Creta, na cidade de Ierapetra, há cerca de mil católicos e sua paróquia se encontra em Heraklion, a quase 130 quilômetros de distância. Em Ierapetra há jovens casais e crianças em idade escolar a quem ninguém ensina o catecismo. Ultimamente, alugamos um local comercial e o usamos como lugar de culto e encontros. O que gostaríamos é que as Igrejas das quais estes católicos provêm nos ajudassem. Mas em sua maioria são Igrejas pobres em pessoal e finanças, como por exemplo a Albânia.
– Pode nos dizer em que âmbitos sociais há melhores relações entre católicos e ortodoxos?
– Dom Papamanolis:
- Sobretudo, não existe um diálogo oficial entre a Igreja Católica e a Ortodoxa na Grécia. Mas naquelas cidades, ou naquelas ilhas, nas quais há, ainda que seja discreta, uma presença da Igreja Católica, e, ainda mais, onde tem sede um bispo católico, há boas relações entre os bispos (ortodoxo e católico) e entre o clero, e isso é um fato positivo que anima os fiéis a caminhar rumo à unidade. No que diz respeito a mim, posso dizer que, na ilha de Syros, da qual sou bispo há 33 anos, tenho ótimas relações com o homólogo, o metropolita ortodoxo Doroteo II, que está lá há apenas cinco anos. Impulsionamos iniciativas que edificam muito nossos fiéis.
Por exemplo, por ocasião das festas litúrgicas, como Páscoa e Natal, vamos juntos visitar os enfermos ao hospital e os anciãos das três residências da ilha. Este «juntos» mudou completamente o sentido de nossa visita, porque não é só filantropia, mas está carregada de um significado de unidade e de reconciliação entre nós. Outra iniciativa, posta em andamento há três anos, e que levamos adiante ao menos uma vez ao ano, é um almoço conjunto de sacerdotes católicos e ortodoxos. Uma vez eu disse ao metropolita Doroteo II que, se não podemos compartilhar o banquete eucarístico, podemos ao menos sentar-nos em torno de uma mesa para comer juntos, e discutir sem fórmulas pré-fabricadas. E isso é o que fazemos.
– Que diálogos, estabelecidos aqui em Sibiu, o senhor continuará ao voltar à Grécia?
– Dom Papamanolis:
- Pela primeira vez, algo que não sucedeu nas duas primeiras assembléias, por iniciativa da Igreja Ortodoxa, e junto às delegações das Igrejas Ortodoxas, Católica e Evangélica, mantivemos uma reunião em Atenas. Um fato saudado como um grande evento. Agora, chegamos a Sibiu, já não somos estrangeiros entre nós, falamos pela rua e intercambiamos brincadeiras de amigos. Em Sibiu, o presidente da Comissão para as Relações Intraortodoxas e Intercristãs da Igreja Ortodoxa da Grécia, o metropolita Ignácio de Volos, nos convidou para almoçar e decidimos seguir este diálogo logo. Sem dúvida, é um pequeno passo. Mas não se trata da simples iniciativa de um bispo, se pensamos que conta com a aprovação do Sacro Sínodo. Começamos assim, pouco a pouco, quase escondidos, diria. No fundo, quando se semeia, a semente se esconde, e depois germina e dá frutos abundantes.
– Para terminar, o senhor gostaria de dizer algo que o preocupe especialmente?
– Dom Papamanolis:
- Eu diria que nossa pequena delegação da Igreja Católica na Grécia apresentou, aqui em Sibiu, uma moção à presidência da III Assembléia Ecumênica, pedindo que se convide o Governo turco a respeitar o título de «ecumênico» associado ao Patriarca de Constantinopla. Dei este escrito nosso a vários bispos ortodoxos, como por exemplo ao chefe da delegação do patriarcado ecumênico, o metropolita Miguel da Áustria, que agradeceu muito esta iniciativa. Um segundo chamado que quero fazer chegar a todos é que deixem de lado todas as diferenças e que busquemos uma data para celebrar a Páscoa no mesmo dia. Apresentei por escrito esta moção, pedindo que se faça pressão, com insistência, para encontrar uma data comum, seja qual for, para que todos os cristãos festejem juntos esta celebração litúrgica. É decisivo. Porque se nós não o fizermos, virá Ciro para fazê-lo em nosso lugar. Sabem quem é Ciro? Era o rei da Pérsia que, com o edito de 358 a.C. permitiu aos judeus voltar e reconstruir o Templo de Jerusalém porque sozinhos não conseguiam chegar a um acordo.
Se nós, cristãos, não conseguimos acordar uma data comum para celebrar a Páscoa no mesmo dia, virão os diversos governos ateus dizer-nos:
- «Ou vocês chegam a um acordo, ou já não levaremos em conta sua Páscoa».
E, portanto, na Semana Santa se seguirá trabalhando normalmente, e o Domingo de Páscoa será um domingo como os demais. Como já aconteceu na França. Isso nos cria muitos problemas, para nós como Igreja e também para a sociedade. Pensem simplesmente no problema dos bancos, que durante a Semana Santa se fecham na Grécia e não em outras partes, ou nas famílias mistas, com um pai católico e outro ortodoxo. A próxima Páscoa a celebraremos nada menos que com 5 semanas de diferença. Aqueles que seguem a Igreja Católica e se remetem ao calendário gregoriano, celebrarão a Páscoa em 23 de março de 2008, enquanto que a Igreja Ortodoxa, que segue o calendário juliano, a festejará em 27 de abril. Nós, desde 1968, distanciando-nos não sem dor de Roma, graças a uma permissão especial do próprio Paulo VI, celebramos a Páscoa com os ortodoxos no mesmo dia, mas inclusive esta solução não está isenta de problemas.
Espero que todos possam dizer na Páscoa: «Cristo ressuscitou!». Sem uma Ressurreição por etapas.
Extraído do site da Pime - Net
PIME-Net
Ecumenismo não está em crise, chega a sua maturidade
Fala a teóloga alemã Jutta Burggraf
- O ecumenismo não está em crise, «mas em uma situação de maior maturidade:
- vemos hoje mais claramente o que nos une e o que nos separa». É o que comenta a Zenit a especialista em ecumenismo Jutta Burggraf, alemã, professora de Teologia Sistemática e de Ecumenismo na Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra. O recente documento «Respostas a questões relativas a alguns aspectos da doutrina da Igreja», publicado pela Congregação para a Doutrina da Fé, segundo a teóloga, «colocou o dedo na ferida e, ao mesmo tempo, assinalou em que direção devem ir os futuros diálogos ecumênicos».
- O novo texto da Congregação para a Doutrina da Fé recorda que não traz nenhuma novidade, mas que afirma a doutrina da Igreja perante algumas interpretações incorretas. Que tipo de erros se cometem, neste sentido, no movimento ecumênico?
- Burggraf: Efetivamente, pode-se considerar o ecumenismo como um movimento único – suscitado pelo próprio Espírito Santo –, cujo fim consiste em promover a unidade entre os cristãos em todo o mundo. Neste movimento participa cada uma das comunidades cristãs desde sua perspectiva própria. E cada uma tem sua compreensão específica sobre o que é a desejada unidade.
Atualmente, está ganhando muita influência a chamada «branch-theory», que foi elaborada pela Associação para a Promoção da Unidade dos Cristãos no século XIX e ampliada no século XX. Segundo essa teoria, o cristianismo entende-se como uma árvore.
O que as diversas confissões têm em comum é o tronco, do qual saem vários ramos exatamente iguais:
- a Igreja Católica, as Igrejas Ortodoxas e as Igrejas que saíram (direta ou indiretamente) da Reforma protestante.
Nós, católicos, não podemos aceitar essa teoria. Não buscamos uma super-Igreja (com uma concepção «federalista» da unidade». Segundo nossa fé, a unidade da Igreja de Cristo não é uma realidade futura, hoje inexistente, que teríamos de criar todos juntos. Nem tampouco é algo repartido entre diversas comunidades, que sustentam doutrinas às vezes contraditórias.
É bem mais uma realidade que, em seu núcleo essencial, já existe e sempre existiu, e que subsiste na Igreja Católica:
- está realizada nela – apesar de todas as debilidades de seus filhos – pela fidelidade do Senhor ao longo da história.
- Assim se pode dizer realmente que a unidade da Igreja já existe?
- Burggraf: O termo ecumenismo vem das palavras gregas «oikéin» (habitar) e «oikós» (casa) que tiveram diversos significados ao longo da história. Os cristãos as empregaram para falar da Igreja, a grande casa de Cristo.
A porta para entrar na Igreja é o Batismo válido, que se administra segundo o rito estabelecido e a fé recebida de Cristo. Esta fé deve abarcar ao menos os dois maiores mistérios que nos foram revelados: a Santíssima Trindade e a Encarnação. Em conseqüência, todas as pessoas batizadas nessas condições incorporaram-se a Cristo e «entraram» formalmente em sua casa. Podem ficar doentes e inclusive morrer (espiritualmente), mas ninguém pode tirar-lhes mais. Por isso – recorda o Concílio Vaticano II – não só os católicos são «cristãos», mas todos os batizados, em quanto que suas respectivas comunidades conservam ao menos esta fé mínima nos dois grandes mistérios mencionados.
«São nossos irmãos – disse Santo Agostinho – e não deixarão de sê-lo até que deixem de dizer:
“Pai nosso”». Em uma criança recém-nascida, a graça de Deus atua do mesmo modo, tanto se é batizada na Igreja Católica como se o é em uma Igreja Ortodoxa ou Evangélica.
- Em que consiste, então, o trabalho ecumênico desde a perspectiva católica?
- Burggraf: A Igreja convida a olhar a nossos irmãos na fé não só sob a perspectiva negativa do que «não são» (os não católicos), mas sob o prisma positivo do que «são» (os batizados). São os «outros cristãos», aos que estamos profundamente unidos: estamos na mesma casa!
A tarefa ecumênica não consiste, portanto, em criar a unidade, mas em fazê-la visível a todos os homens, superando as separações que impedem a Igreja de mostrar-se ao mundo tão esplêndida como realmente é.
Por esta razão, é necessário buscar uma forma eclesial que abarque, de um modo mais completo possível, as legítimas diversidades na teologia, na espiritualidade e no culto. Na medida em que conseguimos realizar uma pluralidade boa e sadia, «a Igreja resplandece – segundo o Papa João XXIII – mais bela ainda pela variedade dos ritos e, semelhante à filha do Rei soberano, aparece adornada com um vestido multicolor».
Segundo esta proposta positiva, um cristão não condena nem rechaça os «outros», mas busca tirar à luz a raiz comum de todas as crenças cristãs, e se alegra quando descobre nas outras Igrejas verdades e valores que talvez não tenha tido suficientemente em conta em sua vida pessoal. É compreensível que o Concílio Vaticano II, partindo desta perspectiva, tenha aberto o caminho a uma grande vitalidade e fecundidade. O abriu comprometidamente, em primeiro lugar, à própria Igreja Católica que tomou, de novo, consciência de purificar-se e renovar-se constantemente. A unidade, quando se der algum dia, será obra de Deus, «um dom que vem do alto». É preciso não esquecer nunca que o verdadeiro protagonista do movimento ecumênico é o Espírito Santo.
- Qual é o maior obstáculo ecumênico que se está enfrentando neste momento?
- Burggraf: É precisamente a eclesiologia. Portanto, o documento colocou o dedo na ferida e, ao mesmo tempo, assinalou em que direção deveriam ir os futuros diálogos ecumênicos. Segundo o Vaticano II, distinguem-se diversos modos de pertencer à casa de Cristo.
A pertença é plena se uma pessoa entrou formalmente – mediante o batismo – na Igreja e se une a ela através de um «triplo vínculo»:
- aceita toda a fé, todos os sacramentos e a autoridade suprema do Santo Padre. É o caso dos católicos. A pertença, em contrapartida, é não-plena se uma pessoa batizada rechaça um ou vários dos três vínculos (totalmente ou em parte). É o caso dos cristãos ortodoxos e evangélicos. No entanto, para a salvação não basta a mera pertença ao Corpo de Cristo, seja plena ou não. Todavia, mais necessária é a união como a Alma do Senhor que é – segundo a imagem que utilizamos – o Espírito Santo. Em outras palavras, somente uma pessoa em graça chegará à felicidade eterna com Deus. Pode ser um católico, um anglicano, luterano ou ortodoxo (e também um seguidor de outra religião).
As estruturas visíveis da Igreja são, certamente, necessárias. Mas em seu núcleo mais profundo, a Igreja é a união com Deus em Cristo. Quem é mais «Igreja»? Aquele que está mais unido a Cristo. Aquele que ama mais.
É significativo que Jesus Cristo nos coloque como modelo de caridade um «bom samaritano», quer dizer, uma pessoa considerada, naqueles tempos, como «herege».
Alberto Magno afirma:
- «Quem ajuda seu próximo em seus sofrimentos – sejam espirituais ou materiais – merece mais louvor que uma pessoa que constrói uma catedral em cada marco no caminho desde Colônia a Roma, para que se cante e reze nelas até o fim dos tempos.
Porque o Filho de Deus afirma: Não sofri a morte por uma catedral, nem pelos cantos e rezas, mas pelo homem».
- Pensa que hoje o ecumenismo goza de boa saúde?
- Burggraf: O diálogo ecumênico, em vários níveis, encontra-se em pleno desenvolvimento. Católicos, ortodoxos e protestantes aproximaram-se uns dos outros, conheceram-se mutuamente, deixaram para trás velhos preconceitos e clichês e se deram conta de que sua divisão é um escândalo para o mundo e contrária aos planos divinos. Podemos dizer, sem exagerar, que avançamos no caminho para a plena unidade nas últimas décadas mais que em vários séculos. No entanto, o «entusiasmo ecumênico» dos tempos posteriores ao Concílio diminuiu. Perdeu-se a ilusão – bastante estendida no mundo inteiro – de que as diferenças entre as diversas comunidades cristãs desapareceriam com relativa facilidade. Viu-se que o caminho é difícil e longo.
Mas não estamos em uma crise, mas em uma situação de maior maturidade:
- vemos hoje mais claramente o que nos une e o que nos separa.
Um ecumenismo sólido está baseado na convicção de que, apesar das dificuldades, devemos tentar colaborar, dialogar e, sobretudo, rezar juntos com a esperança de descobrir a unidade que de fato já existe.A Igreja no Mundo
PIME-Net
Ecumenismo precisa de «purificação das estruturas»
Entrevista ao presidente da Conferência Episcopal da Grécia
SIBIU, segunda-feira, 17 de setembro de 2007 (ZENIT.org). - O ecumenismo precisa de uma «purificação das estruturas» das Igrejas e um maior conhecimento recíproco entre os cristãos, afirma Dom Fragkiskos Papamanolis, ofm-cap, bispo de Syros, Milos e Santorini. O prelado – que comenta com ironia que é católico e não greco-católico – é também administrador apostólico de Creta e presidente da Conferência Episcopal da Grécia. Falando com Zenit sobre as iniciativas normais de colaboração com os ortodoxos em sua terra, Dom Papamanolis traça um breve balanço das experiências da recente III Assembléia Ecumênica de Sibiu (Romênia) e lança um chamado para que todos os cristãos celebrem a Páscoa no mesmo dia.
– Qual é a situação da comunidade católica na Grécia?
– Dom Papamanolis: Na Grécia, a presença católica é mínima quanto aos católicos de nacionalidade grega. Somos 0,5% da população, aproximadamente 50.000. Enquanto isso, nos últimos quinze anos, com a queda do comunismo, a abertura dos países da União Européia, e a situação instável no Oriente Médio, os católicos tiveram um aumento de 700%. De 50.000, passamos a ser 350.000. Como pude informar ao Papa, durante a visita «ad limina apostolorum», em outubro de 2006, por uma parte este fato nos conforta, mas por outra nos cria também muitos problemas, porque há concentrações de católicos em lugares nos quais não há presença da Igreja Católica, onde não temos nem sequer um lugar de culto e menos ainda sacerdotes. Por exemplo, na parte sul-oriental da ilha de Creta, na cidade de Ierapetra, há cerca de mil católicos e sua paróquia se encontra em Heraklion, a quase 130 quilômetros de distância. Em Ierapetra há jovens casais e crianças em idade escolar a quem ninguém ensina o catecismo. Ultimamente, alugamos um local comercial e o usamos como lugar de culto e encontros. O que gostaríamos é que as Igrejas das quais estes católicos provêm nos ajudassem. Mas em sua maioria são Igrejas pobres em pessoal e finanças, como por exemplo a Albânia.
– Pode nos dizer em que âmbitos sociais há melhores relações entre católicos e ortodoxos?
– Dom Papamanolis:
- Sobretudo, não existe um diálogo oficial entre a Igreja Católica e a Ortodoxa na Grécia. Mas naquelas cidades, ou naquelas ilhas, nas quais há, ainda que seja discreta, uma presença da Igreja Católica, e, ainda mais, onde tem sede um bispo católico, há boas relações entre os bispos (ortodoxo e católico) e entre o clero, e isso é um fato positivo que anima os fiéis a caminhar rumo à unidade. No que diz respeito a mim, posso dizer que, na ilha de Syros, da qual sou bispo há 33 anos, tenho ótimas relações com o homólogo, o metropolita ortodoxo Doroteo II, que está lá há apenas cinco anos. Impulsionamos iniciativas que edificam muito nossos fiéis.
Por exemplo, por ocasião das festas litúrgicas, como Páscoa e Natal, vamos juntos visitar os enfermos ao hospital e os anciãos das três residências da ilha. Este «juntos» mudou completamente o sentido de nossa visita, porque não é só filantropia, mas está carregada de um significado de unidade e de reconciliação entre nós. Outra iniciativa, posta em andamento há três anos, e que levamos adiante ao menos uma vez ao ano, é um almoço conjunto de sacerdotes católicos e ortodoxos. Uma vez eu disse ao metropolita Doroteo II que, se não podemos compartilhar o banquete eucarístico, podemos ao menos sentar-nos em torno de uma mesa para comer juntos, e discutir sem fórmulas pré-fabricadas. E isso é o que fazemos.
– Que diálogos, estabelecidos aqui em Sibiu, o senhor continuará ao voltar à Grécia?
– Dom Papamanolis:
- Pela primeira vez, algo que não sucedeu nas duas primeiras assembléias, por iniciativa da Igreja Ortodoxa, e junto às delegações das Igrejas Ortodoxas, Católica e Evangélica, mantivemos uma reunião em Atenas. Um fato saudado como um grande evento. Agora, chegamos a Sibiu, já não somos estrangeiros entre nós, falamos pela rua e intercambiamos brincadeiras de amigos. Em Sibiu, o presidente da Comissão para as Relações Intraortodoxas e Intercristãs da Igreja Ortodoxa da Grécia, o metropolita Ignácio de Volos, nos convidou para almoçar e decidimos seguir este diálogo logo. Sem dúvida, é um pequeno passo. Mas não se trata da simples iniciativa de um bispo, se pensamos que conta com a aprovação do Sacro Sínodo. Começamos assim, pouco a pouco, quase escondidos, diria. No fundo, quando se semeia, a semente se esconde, e depois germina e dá frutos abundantes.
– Para terminar, o senhor gostaria de dizer algo que o preocupe especialmente?
– Dom Papamanolis:
- Eu diria que nossa pequena delegação da Igreja Católica na Grécia apresentou, aqui em Sibiu, uma moção à presidência da III Assembléia Ecumênica, pedindo que se convide o Governo turco a respeitar o título de «ecumênico» associado ao Patriarca de Constantinopla. Dei este escrito nosso a vários bispos ortodoxos, como por exemplo ao chefe da delegação do patriarcado ecumênico, o metropolita Miguel da Áustria, que agradeceu muito esta iniciativa. Um segundo chamado que quero fazer chegar a todos é que deixem de lado todas as diferenças e que busquemos uma data para celebrar a Páscoa no mesmo dia. Apresentei por escrito esta moção, pedindo que se faça pressão, com insistência, para encontrar uma data comum, seja qual for, para que todos os cristãos festejem juntos esta celebração litúrgica. É decisivo. Porque se nós não o fizermos, virá Ciro para fazê-lo em nosso lugar. Sabem quem é Ciro? Era o rei da Pérsia que, com o edito de 358 a.C. permitiu aos judeus voltar e reconstruir o Templo de Jerusalém porque sozinhos não conseguiam chegar a um acordo.
Se nós, cristãos, não conseguimos acordar uma data comum para celebrar a Páscoa no mesmo dia, virão os diversos governos ateus dizer-nos:
- «Ou vocês chegam a um acordo, ou já não levaremos em conta sua Páscoa».
E, portanto, na Semana Santa se seguirá trabalhando normalmente, e o Domingo de Páscoa será um domingo como os demais. Como já aconteceu na França. Isso nos cria muitos problemas, para nós como Igreja e também para a sociedade. Pensem simplesmente no problema dos bancos, que durante a Semana Santa se fecham na Grécia e não em outras partes, ou nas famílias mistas, com um pai católico e outro ortodoxo. A próxima Páscoa a celebraremos nada menos que com 5 semanas de diferença. Aqueles que seguem a Igreja Católica e se remetem ao calendário gregoriano, celebrarão a Páscoa em 23 de março de 2008, enquanto que a Igreja Ortodoxa, que segue o calendário juliano, a festejará em 27 de abril. Nós, desde 1968, distanciando-nos não sem dor de Roma, graças a uma permissão especial do próprio Paulo VI, celebramos a Páscoa com os ortodoxos no mesmo dia, mas inclusive esta solução não está isenta de problemas.
Espero que todos possam dizer na Páscoa: «Cristo ressuscitou!». Sem uma Ressurreição por etapas.
Extraído do site da Pime - Net
Evangelização - Libertação
uem acolher uma criança como esta, em meu nome, é a mim que acolhe” (Mt 18, 5). Ressaltando este mandamento de Cristo, o Santo Padre dirigiu sua mensagem a todos os fiéis e a todas as pessoas de boa vontade, durante a última quaresma. Ele também escreveu: “Penso, com reconhecida admiração, em quantos cuidam da formação da infância em dificuldade e aliviam os sofrimentos das crianças e dos seus familiares, causados pelos conflitos e a violência, pela falta de alimentos e de água, pela emigração forçada e por tantas formas de injustiça existentes no mundo”.
Às vezes, ouvem-se murmúrios errôneos sobre os bens da Igreja, do Vaticano e de seus ministros. Apesar de falsos, tais ruídos confundem a mente ingênua de muitos “cristãos”, com limitada consciência sobre as ações pastorais e os testemunhos de solidariedade que a Igreja desenvolve nos seus projetos sociais. As contribuições dos cristãos alicerçam os programas mantidos pelo Vaticano, através do Pontifício Conselho Cor Unum (Um só coração), o instrumento da caridade do Papa.
Graças à generosidade dos fiéis, Cor Unum, por incumbência do Pontífice, consegue ajudar muitas comunidades de países em vias de desenvolvimento, de modo a favorecer o seu crescimento moral e material. Outras ajudas são distribuídas para instituições eclesiais que se ocupam da assistência aos excluídos: crianças de rua, idosos abandonados, mulheres agredidas, sem-teto, refugiados.
Nesta edição, Mundo e Missão oferece um quadro sintético do que o papa, através do Pontifício Conselho Cor Unum, conseguiu realizar concretamente no ano passado (2003), para sustentar as obras de muitas pessoas abnegadas, em favor das vítimas de flagelos naturais ou de calamidades provocadas pela ganância humana sobre os mais miseráveis.
Fundações
No âmbito do Cor Unum trabalham duas Fundações: a primeira é a Fundação João Paulo II para o Sahel.
Foi instituída em 1984, como resposta ao urgente apelo lançado pelo Santo Padre no dia 10 de maio de 1980, de Uagadugu (Burkina Faso), em favor das populações atormentadas pela estiagem e pela desertificação na região saheliana.
Mais de 3.500 projetos comunitários foram financiados pela Fundação, desde suas origens, a um custo superior a trinta milhões de dólares. No ano de 2003, o número de projetos financiados subiu para 235, num total de 2.474.305,00 euros.
A tabela acima especifica a distribuição dos projetos em 2003:
A segunda é a Fundação Populorum Progressio, a serviço das populações indígenas, mestiças e afro-americanas camponesas pobres da América Latina. Foi criada pelo Papa em 1992, por ocasião do 5.º Centenário do início da Evangelização na América Latina, e propõe-se sustentar micro-projetos de promoção humana integral.
É mantida especialmente pela Conferência Episcopal Italiana, através do Comitê para as Intervenções Caritativas em favor do Terceiro Mundo, por fiéis e por instituições religiosas. Nos seus primeiros doze anos de vida, financiou mais de 1500 micro-projetos, investindo mais de 15 milhões de dólares americanos.
Veja na tabela abaixo os seus projetos aprovados e distribuídos em 2003.
Além dos investimentos nas Fundações já citadas, o Cor Unum distribuiu 1.680.688 dólares em socorros de emergência e na promoção humana em várias partes do mundo, como se pode ler na tabela acima. Com estas atividades, o Cor Unum constitui um instrumento de testemunho concreto do amor de Cristo pelos pobres.
Outras organizações católicas, espalhadas pelo mundo, também diminuem o sofrimento humano e devolvem a dignidade aos mais necessitados. Há um enorme trabalho desenvolvido pelas várias Caritas, pela Ajuda à Igreja que Sofre, pelas várias Obras quaresmais (no Brasil, a Campanha da Fraternidade), pelas Congregações religiosas, Associações de leigos e Organismos de Voluntariado.
Seus agentes não desenvolvem seu serviço como simples delegados da comunidade, mas como verdadeiros canais, através dos quais difundem-se a participação e a partilha ativa dos benfeitores, no testemunho concreto da caridade de Jesus. Cristo, que, “tornando-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fl 2, 8), assumiu sobre Ele o sofrimento humano, iluminando-o com a luz esplendorosa da ressurreição.
(L´Osservatore Romano – 2004 – n.º 16)
uem acolher uma criança como esta, em meu nome, é a mim que acolhe” (Mt 18, 5). Ressaltando este mandamento de Cristo, o Santo Padre dirigiu sua mensagem a todos os fiéis e a todas as pessoas de boa vontade, durante a última quaresma. Ele também escreveu: “Penso, com reconhecida admiração, em quantos cuidam da formação da infância em dificuldade e aliviam os sofrimentos das crianças e dos seus familiares, causados pelos conflitos e a violência, pela falta de alimentos e de água, pela emigração forçada e por tantas formas de injustiça existentes no mundo”.
Às vezes, ouvem-se murmúrios errôneos sobre os bens da Igreja, do Vaticano e de seus ministros. Apesar de falsos, tais ruídos confundem a mente ingênua de muitos “cristãos”, com limitada consciência sobre as ações pastorais e os testemunhos de solidariedade que a Igreja desenvolve nos seus projetos sociais. As contribuições dos cristãos alicerçam os programas mantidos pelo Vaticano, através do Pontifício Conselho Cor Unum (Um só coração), o instrumento da caridade do Papa.
Graças à generosidade dos fiéis, Cor Unum, por incumbência do Pontífice, consegue ajudar muitas comunidades de países em vias de desenvolvimento, de modo a favorecer o seu crescimento moral e material. Outras ajudas são distribuídas para instituições eclesiais que se ocupam da assistência aos excluídos: crianças de rua, idosos abandonados, mulheres agredidas, sem-teto, refugiados.
Nesta edição, Mundo e Missão oferece um quadro sintético do que o papa, através do Pontifício Conselho Cor Unum, conseguiu realizar concretamente no ano passado (2003), para sustentar as obras de muitas pessoas abnegadas, em favor das vítimas de flagelos naturais ou de calamidades provocadas pela ganância humana sobre os mais miseráveis.
Fundações
No âmbito do Cor Unum trabalham duas Fundações: a primeira é a Fundação João Paulo II para o Sahel.
Foi instituída em 1984, como resposta ao urgente apelo lançado pelo Santo Padre no dia 10 de maio de 1980, de Uagadugu (Burkina Faso), em favor das populações atormentadas pela estiagem e pela desertificação na região saheliana.
Mais de 3.500 projetos comunitários foram financiados pela Fundação, desde suas origens, a um custo superior a trinta milhões de dólares. No ano de 2003, o número de projetos financiados subiu para 235, num total de 2.474.305,00 euros.
A tabela acima especifica a distribuição dos projetos em 2003:
A segunda é a Fundação Populorum Progressio, a serviço das populações indígenas, mestiças e afro-americanas camponesas pobres da América Latina. Foi criada pelo Papa em 1992, por ocasião do 5.º Centenário do início da Evangelização na América Latina, e propõe-se sustentar micro-projetos de promoção humana integral.
É mantida especialmente pela Conferência Episcopal Italiana, através do Comitê para as Intervenções Caritativas em favor do Terceiro Mundo, por fiéis e por instituições religiosas. Nos seus primeiros doze anos de vida, financiou mais de 1500 micro-projetos, investindo mais de 15 milhões de dólares americanos.
Veja na tabela abaixo os seus projetos aprovados e distribuídos em 2003.
Além dos investimentos nas Fundações já citadas, o Cor Unum distribuiu 1.680.688 dólares em socorros de emergência e na promoção humana em várias partes do mundo, como se pode ler na tabela acima. Com estas atividades, o Cor Unum constitui um instrumento de testemunho concreto do amor de Cristo pelos pobres.
Outras organizações católicas, espalhadas pelo mundo, também diminuem o sofrimento humano e devolvem a dignidade aos mais necessitados. Há um enorme trabalho desenvolvido pelas várias Caritas, pela Ajuda à Igreja que Sofre, pelas várias Obras quaresmais (no Brasil, a Campanha da Fraternidade), pelas Congregações religiosas, Associações de leigos e Organismos de Voluntariado.
Seus agentes não desenvolvem seu serviço como simples delegados da comunidade, mas como verdadeiros canais, através dos quais difundem-se a participação e a partilha ativa dos benfeitores, no testemunho concreto da caridade de Jesus. Cristo, que, “tornando-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fl 2, 8), assumiu sobre Ele o sofrimento humano, iluminando-o com a luz esplendorosa da ressurreição.
(L´Osservatore Romano – 2004 – n.º 16)
Revista "MUNDO e MISSÃO"
Evangelização Libertação
Dom Helder Câmara, um marco na Igreja do Brasil
Dom Helder Câmara foi, sem dúvida, um marco na Igreja do Brasil dos últimos 50 anos, que com seu exemplo e modo de agir, ajudou a mudar profundamente. Sua influência não se limitou ao Brasil: as numerosas viagens que fez ao exterior, às vezes dificultadas por mal-entendidos das autoridades militares e religiosas, fizeram dele uma figura mundialmente conhecida, amada e não pouco contestada.
Foi um dos idealizadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), organização copiada por bispos de outros países, e seu primeiro presidente. No Rio de Janeiro, atuou como bispo coadjuntor e, em Olinda e Recife, como arcebispo.
Pioneiro da Teologia da Libertação
"Quando dou de comer aos pobres, chamam-me santo, quando respondo porque é que os pobres têm fome - chamam-me comunista": foi assim que dom Helder resumiu suas dificuldades com as autoridades políticas e religiosas, quando era contestado a propósito de sua obra social e profética em favor de uma maior igualdade e justiça no país e dentro da Igreja. Não raramente se referiam a ele como o "bispo vermelho", especialmente nos duros tempos da ditadura.
Ele desejava uma Igreja mais participativa, orientada para a defesa dos pobres e a favor dos movimentos sociais. Quando foi substituído, em 1985, em seu serviço como arcebispo de Olinda e Recife, retirou-se para viver de maneira simples, coerente, até o fim da vida, com seu posicionamento a respeito da pobreza. Sua batina branca era surrada, celebrava suas missas sem pompas, morava numa casa modesta na periferia da cidade do Recife; dizem que nunca aceitou um convite para comer em restaurantes.
Sua obra, de fato, não o apresenta como teólogo, filósofo ou revolucionário teórico, mas como um pastor, no sentido mais amplos da palavra, preocupado com o bem-estar social e religioso do povo que ele amava.
Sua atuação transformadora começou a se manifestar, quando foi nomeado bispo auxiliar do Rio de Janeiro, aos 43 anos. Além de ter sido um dos fundadores da CNBB (1952), também o foi da Conferência Episcopal latino-americana (CELAM). No inicio dos anos 60, dom Helder dedicou-se à preparação do Concílio Vaticano II convocado por João XXIII.
Um legado de obras sociais
Realizando seus sonhos e suas aspirações de justiça social e caridade, dom Helder deixou várias obras como a Obra do Frei Francisco, criada no Rio de Janeiro; iniciou o Banco da Providência, hoje ampliado, que centralizava doações e as distribuía entre a população pobre. Também criou no Rio de Janeiro um projeto de urbanização de favelas, conhecido como Cruzada São Sebastião.
Em Pernambuco, realizou a primeira experiência de reforma agrária, comprando terras na Zona da Mata e assentando trabalhadores rurais.
Ardente defensor dos direitos humanos
Depois do golpe militar, após um primeiro período de convivência pacífica com o exército, ao ver a violação brutal dos direito humanos com a caça aos chamados comunistas, dom Helder passou a atuar em defesa dos presos políticos e contra a tortura no Brasil, cuja existência o governo militar procurava negar de todas as formas. Foi o período em que enfrentou as maiores dificuldades, mas também de maior projeção no exterior, tendo sido acusado pelos militares e por parte do clero conservador de promover atividades comunistas no País. O religioso passou a ser visto como simpatizante da esquerda e seu trabalho em defesa de uma Igreja mais aberta incomodava o regime militar. Através de documentos secretos, divulgados no livro "Dom Helder Câmara - entre o poder e a profecia", de Nelson Piletti e Walter Praxedes, descobriu-se que o governo Médici (1969-1974) organizou uma campanha contra a escolha do religioso para o Nobel da Paz, indicação promovida pelo episcopado alemão.
O bispo dos pobres soube atrair as atenções de todos os que trabalham e sofrem em favor de uma sociedade mais justa, não importa qual seja seu credo. Por isso, publicamos aqui parte de um artigo de Alexandre Gomes, muçulmano praticante, em homenagem a Dom Helder.
A solidariedade radical de Dom Helder Câmara
Alexandre Gomes
"Todas as revoluções não são obrigatoriamente boas (...) mas a história mostra que algumas eram necessárias e produziram bons frutos". (Dom Helder Câmara)
Pode parecer estranho, e realmente deve ser, que alguém fora do meio católico, ligado a outra fé, se sensibilize com o falecimento desta notável figura humana que foi o arcebispo de Olinda e Recife. Mas é certo que esta estranheza só é realmente estranha a quem não o conheceu.
Ainda que recorrendo ao que provavelmente será um chavão na imprensa nos próximos dias, é impossível não ver o contraste entre a figura meiga e franzina do arcebispo frente a toda a sua força interior. Homem incapaz de conhecer o medo - o que demonstra sobretudo a intensidade da sua fé e a certeza de estar agindo com correção - dom Helder Câmara teve a coragem de enfrentar tanto os algozes do regime militar como as forças conservadoras dentro da hierarquia da qual fez parte.
Jamais perguntou se os perseguidos políticos que defendia eram católicos, protestantes, judeus ou ateus: defendia-os não por um sentimento corporativo, mas sobretudo porque nele os valores humanos - e cristãos - estavam enraizados demais para fazer esta distinção. Alguém já disse que é fácil amar ao amigo, muito mais difícil é amar àquele que nos contesta e dom Helder foi capaz deste amor incondicional, a ponto de colocar a vida e a segurança em risco.
Sua enorme dedicação não condizia com sua figura franzina e humilde. Ele agia não por considerar a ação um mérito, mas porque a tinha no seu íntimo como o dever de um cristão. Não agia para ser louvado como exemplo de cristão, mas porque uma ética profundamente arraigada em seu espírito não lhe mostrava outro caminho senão o que ele tão heroicamente seguiu.
Não tentou jamais ser herói, mas apenas um cristão consciente de suas responsabilidades com a humanidade; mas este desprendimento o fez ainda mais heróico e exemplar. É certamente um dos melhores exemplos que se pode ter de uma figura humana rara para a qual até a omissão - entendida como não fazer tudo que estivesse ao seu alcance pelos seus semelhantes - era um pecado terrível.
Dom Helder foi mais que um símbolo desta luta contra o individualismo, opondo a ele uma solidariedade radical que encarna o sentimento de Misericórdia extrema tão pregado e tão pouco colocado em prática pelas mais diversas fés.
Talvez isto explique porque a figura dele é tão querida até para quem não compartilha da crença cristã, como eu que sou muçulmano. Afinal ele se tornou um símbolo daquela dedicação ao próximo que todos os verdadeiros crentes de qualquer fé só podem admirar como um sinal da Misericórdia de Deus para com os homens.
Evangelização Libertação
Dom Helder Câmara, um marco na Igreja do Brasil
Dom Helder Câmara foi, sem dúvida, um marco na Igreja do Brasil dos últimos 50 anos, que com seu exemplo e modo de agir, ajudou a mudar profundamente. Sua influência não se limitou ao Brasil: as numerosas viagens que fez ao exterior, às vezes dificultadas por mal-entendidos das autoridades militares e religiosas, fizeram dele uma figura mundialmente conhecida, amada e não pouco contestada.
Foi um dos idealizadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), organização copiada por bispos de outros países, e seu primeiro presidente. No Rio de Janeiro, atuou como bispo coadjuntor e, em Olinda e Recife, como arcebispo.
Pioneiro da Teologia da Libertação
"Quando dou de comer aos pobres, chamam-me santo, quando respondo porque é que os pobres têm fome - chamam-me comunista": foi assim que dom Helder resumiu suas dificuldades com as autoridades políticas e religiosas, quando era contestado a propósito de sua obra social e profética em favor de uma maior igualdade e justiça no país e dentro da Igreja. Não raramente se referiam a ele como o "bispo vermelho", especialmente nos duros tempos da ditadura.
Ele desejava uma Igreja mais participativa, orientada para a defesa dos pobres e a favor dos movimentos sociais. Quando foi substituído, em 1985, em seu serviço como arcebispo de Olinda e Recife, retirou-se para viver de maneira simples, coerente, até o fim da vida, com seu posicionamento a respeito da pobreza. Sua batina branca era surrada, celebrava suas missas sem pompas, morava numa casa modesta na periferia da cidade do Recife; dizem que nunca aceitou um convite para comer em restaurantes.
Sua obra, de fato, não o apresenta como teólogo, filósofo ou revolucionário teórico, mas como um pastor, no sentido mais amplos da palavra, preocupado com o bem-estar social e religioso do povo que ele amava.
Sua atuação transformadora começou a se manifestar, quando foi nomeado bispo auxiliar do Rio de Janeiro, aos 43 anos. Além de ter sido um dos fundadores da CNBB (1952), também o foi da Conferência Episcopal latino-americana (CELAM). No inicio dos anos 60, dom Helder dedicou-se à preparação do Concílio Vaticano II convocado por João XXIII.
Um legado de obras sociais
Realizando seus sonhos e suas aspirações de justiça social e caridade, dom Helder deixou várias obras como a Obra do Frei Francisco, criada no Rio de Janeiro; iniciou o Banco da Providência, hoje ampliado, que centralizava doações e as distribuía entre a população pobre. Também criou no Rio de Janeiro um projeto de urbanização de favelas, conhecido como Cruzada São Sebastião.
Em Pernambuco, realizou a primeira experiência de reforma agrária, comprando terras na Zona da Mata e assentando trabalhadores rurais.
Ardente defensor dos direitos humanos
Depois do golpe militar, após um primeiro período de convivência pacífica com o exército, ao ver a violação brutal dos direito humanos com a caça aos chamados comunistas, dom Helder passou a atuar em defesa dos presos políticos e contra a tortura no Brasil, cuja existência o governo militar procurava negar de todas as formas. Foi o período em que enfrentou as maiores dificuldades, mas também de maior projeção no exterior, tendo sido acusado pelos militares e por parte do clero conservador de promover atividades comunistas no País. O religioso passou a ser visto como simpatizante da esquerda e seu trabalho em defesa de uma Igreja mais aberta incomodava o regime militar. Através de documentos secretos, divulgados no livro "Dom Helder Câmara - entre o poder e a profecia", de Nelson Piletti e Walter Praxedes, descobriu-se que o governo Médici (1969-1974) organizou uma campanha contra a escolha do religioso para o Nobel da Paz, indicação promovida pelo episcopado alemão.
O bispo dos pobres soube atrair as atenções de todos os que trabalham e sofrem em favor de uma sociedade mais justa, não importa qual seja seu credo. Por isso, publicamos aqui parte de um artigo de Alexandre Gomes, muçulmano praticante, em homenagem a Dom Helder.
A solidariedade radical de Dom Helder Câmara
Alexandre Gomes
"Todas as revoluções não são obrigatoriamente boas (...) mas a história mostra que algumas eram necessárias e produziram bons frutos". (Dom Helder Câmara)
Pode parecer estranho, e realmente deve ser, que alguém fora do meio católico, ligado a outra fé, se sensibilize com o falecimento desta notável figura humana que foi o arcebispo de Olinda e Recife. Mas é certo que esta estranheza só é realmente estranha a quem não o conheceu.
Ainda que recorrendo ao que provavelmente será um chavão na imprensa nos próximos dias, é impossível não ver o contraste entre a figura meiga e franzina do arcebispo frente a toda a sua força interior. Homem incapaz de conhecer o medo - o que demonstra sobretudo a intensidade da sua fé e a certeza de estar agindo com correção - dom Helder Câmara teve a coragem de enfrentar tanto os algozes do regime militar como as forças conservadoras dentro da hierarquia da qual fez parte.
Jamais perguntou se os perseguidos políticos que defendia eram católicos, protestantes, judeus ou ateus: defendia-os não por um sentimento corporativo, mas sobretudo porque nele os valores humanos - e cristãos - estavam enraizados demais para fazer esta distinção. Alguém já disse que é fácil amar ao amigo, muito mais difícil é amar àquele que nos contesta e dom Helder foi capaz deste amor incondicional, a ponto de colocar a vida e a segurança em risco.
Sua enorme dedicação não condizia com sua figura franzina e humilde. Ele agia não por considerar a ação um mérito, mas porque a tinha no seu íntimo como o dever de um cristão. Não agia para ser louvado como exemplo de cristão, mas porque uma ética profundamente arraigada em seu espírito não lhe mostrava outro caminho senão o que ele tão heroicamente seguiu.
Não tentou jamais ser herói, mas apenas um cristão consciente de suas responsabilidades com a humanidade; mas este desprendimento o fez ainda mais heróico e exemplar. É certamente um dos melhores exemplos que se pode ter de uma figura humana rara para a qual até a omissão - entendida como não fazer tudo que estivesse ao seu alcance pelos seus semelhantes - era um pecado terrível.
Dom Helder foi mais que um símbolo desta luta contra o individualismo, opondo a ele uma solidariedade radical que encarna o sentimento de Misericórdia extrema tão pregado e tão pouco colocado em prática pelas mais diversas fés.
Talvez isto explique porque a figura dele é tão querida até para quem não compartilha da crença cristã, como eu que sou muçulmano. Afinal ele se tornou um símbolo daquela dedicação ao próximo que todos os verdadeiros crentes de qualquer fé só podem admirar como um sinal da Misericórdia de Deus para com os homens.
Atualidades no Brasil
Catequese, Caminho para o Discipulado
2009 ano Catequético
O Ano Catequético que, desde o 2.º Domingo de Páscoa vivenciamos, tem o objetivo de dar novo impulso à catequese como serviço eclesial e como caminho para o discipulado. A catequese é um processo permanente de educação da fé. Portanto, o discipulado acontece no mundo e está aberto às necessidades e desafios da realidade. É o que você lerá a seguir, nas palavras de dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina-PR.
Dom Orlando Brandes
1.º O Ano Catequético tem o objetivo de implantar a iniciação cristã como critério fundamental da catequese no Brasil. Iniciação cristã significa:
- encantamento por Jesus Cristo e seu reino, conversão permanente, engajamento comunitário, discipulado com aprofundamento bíblico, vivência litúrgica, celebrativa, orante e grande ousadia missionária.
2.º O Ano Catequético quer ser uma avaliação e um lançamento do ministério catequético. Precisamos de uma catequese bíblica, que envolva a família, que leve a uma participação ativa e afetiva na comunidade e que colabore na transformação do mundo. Tudo começa a “partir de Cristo Jesus”. Quanto mais encantamento, maior engajamento.
3.º O Ano Catequético quer bater na porta do coração dos bispos e dos padres. Eles são a mola propulsora da catequese. Toda a comunidade catequiza com sua liturgia, seus cantos, suas pastorais, movimentos e forças de evangelização. Precisamos de mais homens e casais na catequese. Cada paróquia deve ter a organização paroquial da catequese. Não podemos continuar perdendo nossos catequizandos após a Primeira Eucaristia e a Crisma.
4.º O Ano Catequético espera que os Grupos de Refl exão e pequenas comunidades sejam prolongamento da catequese nas casas e famílias. As pequenas comunidades e Grupos, como também os grupos de adolescentes e jovens, são a continuidade da catequese. Todo catequista deve apoiar os Grupos, porque eles são centros de catequese semanal.
5.º O Ano Catequético pede que cada diocese, região pastoral, paróquia e comunidade realizem gestos bem concretos em prol do revigoramento catequético.
Precisamos vencer alguns problemas como:
- rotatividade, falta de formação, ausência dos padres, desconhecimento bíblico, desleixo da família e alienação da comunidade.
Dom Orlando Brandes em cerimônia litúrgica
6.º O Ano Catequético não pode ficar na teoria, nos desejos e intenções. É preciso realização, opção, decisão e pé no chão. A catequese precisa articular-se com as pastorais e vice-versa. Precisamos melhorar a catequese com adultos, a catequese com pessoas especiais, a catequese urbana, a catequese familiar. Desafios são possibilidades de soluções.
7.º O Ano Catequético lembra, mais uma vez, que a infância, o namoro, o noivado, a gravidez são etapas preciosas para uma catequese desde a raiz, e não de verniz. Comecemos a catequese o quanto mais cedo possível. Antes da televisão, do vídeo game, da internet e do celular. É preciso chegar antes e chegar encantando, cativando, atraindo. Catequese deve começar aos seis anos, não é? Não esqueçamos que a TV é a primeira catequista de nossas crianças para torná-las consumistas.
8.º Catequese atraente, o quanto mais cedo possível, catequese para a vida e como um processo orgânico, duradouro, contínuo, eis que o Ano Catequético quer reafirmar.
Fonte: JC – Jornal da Comunidade,
Publicação da Arquidiocese de Londrina
Catequese, Caminho para o Discipulado
2009 ano Catequético
O Ano Catequético que, desde o 2.º Domingo de Páscoa vivenciamos, tem o objetivo de dar novo impulso à catequese como serviço eclesial e como caminho para o discipulado. A catequese é um processo permanente de educação da fé. Portanto, o discipulado acontece no mundo e está aberto às necessidades e desafios da realidade. É o que você lerá a seguir, nas palavras de dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina-PR.
Dom Orlando Brandes
1.º O Ano Catequético tem o objetivo de implantar a iniciação cristã como critério fundamental da catequese no Brasil. Iniciação cristã significa:
- encantamento por Jesus Cristo e seu reino, conversão permanente, engajamento comunitário, discipulado com aprofundamento bíblico, vivência litúrgica, celebrativa, orante e grande ousadia missionária.
2.º O Ano Catequético quer ser uma avaliação e um lançamento do ministério catequético. Precisamos de uma catequese bíblica, que envolva a família, que leve a uma participação ativa e afetiva na comunidade e que colabore na transformação do mundo. Tudo começa a “partir de Cristo Jesus”. Quanto mais encantamento, maior engajamento.
3.º O Ano Catequético quer bater na porta do coração dos bispos e dos padres. Eles são a mola propulsora da catequese. Toda a comunidade catequiza com sua liturgia, seus cantos, suas pastorais, movimentos e forças de evangelização. Precisamos de mais homens e casais na catequese. Cada paróquia deve ter a organização paroquial da catequese. Não podemos continuar perdendo nossos catequizandos após a Primeira Eucaristia e a Crisma.
4.º O Ano Catequético espera que os Grupos de Refl exão e pequenas comunidades sejam prolongamento da catequese nas casas e famílias. As pequenas comunidades e Grupos, como também os grupos de adolescentes e jovens, são a continuidade da catequese. Todo catequista deve apoiar os Grupos, porque eles são centros de catequese semanal.
5.º O Ano Catequético pede que cada diocese, região pastoral, paróquia e comunidade realizem gestos bem concretos em prol do revigoramento catequético.
Precisamos vencer alguns problemas como:
- rotatividade, falta de formação, ausência dos padres, desconhecimento bíblico, desleixo da família e alienação da comunidade.
Dom Orlando Brandes em cerimônia litúrgica
6.º O Ano Catequético não pode ficar na teoria, nos desejos e intenções. É preciso realização, opção, decisão e pé no chão. A catequese precisa articular-se com as pastorais e vice-versa. Precisamos melhorar a catequese com adultos, a catequese com pessoas especiais, a catequese urbana, a catequese familiar. Desafios são possibilidades de soluções.
7.º O Ano Catequético lembra, mais uma vez, que a infância, o namoro, o noivado, a gravidez são etapas preciosas para uma catequese desde a raiz, e não de verniz. Comecemos a catequese o quanto mais cedo possível. Antes da televisão, do vídeo game, da internet e do celular. É preciso chegar antes e chegar encantando, cativando, atraindo. Catequese deve começar aos seis anos, não é? Não esqueçamos que a TV é a primeira catequista de nossas crianças para torná-las consumistas.
8.º Catequese atraente, o quanto mais cedo possível, catequese para a vida e como um processo orgânico, duradouro, contínuo, eis que o Ano Catequético quer reafirmar.
Fonte: JC – Jornal da Comunidade,
Publicação da Arquidiocese de Londrina
sábado, 22 de maio de 2010
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